Quatro Vidas de Um Cachorro – Adorável e Comovente

Filmes com o tema de animais de estimação, especialmente cachorros, já são uma tradição em Hollywood e costumam agradar ao público pela emoção mostrada em tela entre os bichinhos e seus donos. Esse é o tema de Quatro Vidas de Um Cachorro (A Dog’s Purpose), filme que adapta o livro de W. Bruce Cameron. Como o próprio título nacional revela, acompanhamos a história de um cachorro que reencarna quatro vezes para ajudar os humanos ao seu redor.

Quatro Vidas de Um Cachorro é surpreendentemente bom, o filme, mostra quatro vidas de um mesmo cão, como se a cada final de vida ele retornasse numa nova raça e começasse tudo outra vez, mas sempre se lembrando de seu primeiro dono, o jovem Ethan.

Um dos pontos positivos é a narração de Josh Gad (no original), que é como a consciência do protagonista em suas quatro vidas. Com uma voz suave, divertida e, ao mesmo tempo, profunda, o ator consegue passar ao público desde os sentimentos mais simples do cachorro, como a vontade de brincar e até ideias mais profundas, como qual é o sentido da vida.

Assim, é interessante até mesmo como diretor Lasse Halltrom e roteirista Cathryn Michon encontram solução para narrar a história. Construído inteiramente pela perspectiva narrativa do próprio cachorro, o longa tenta estar na mente do animal o tempo todo, dessa forma o filme utiliza uma narração em off do cachorro, em que o personagem canino faz comentários sobre o que está acontecendo. E se tal recurso poderia resumir Quatro Vidas de Um Cachorro a um longa de animais falantes, isso não ocorre pela forma inteligente como essas inserções narrativas são feitas. Os comentários além de conectar público com um personagem que não pode falar também servem de extremo alívio cômico, as respostas caninas ao mundo humano é sempre uma tirada leve que o espectador realmente acredita estar sendo dita por um cão.

Nessa mesma lógica, Hallstrom também busca sempre aproximar sua direção do próprio cão, por muitas vezes utilizando-se de uma câmera subjetiva que faz com que o público entre na pele daquele animalzinho, vendo o mundo literalmente pelo seus olhos. Esses dois recursos transformam a simplicidade e a leveza contidas no filme em algo extremamente incrível. Imagina-se que um cão que esbanja fofura só poderia contar uma história dessa maneira.

Com isso, respeitando essa sua atmosfera o filme nunca cai na armadilha de construir toda ficção em torno da morte do cachorrinho, como tantos outros filmes fazem. Aqui o foco é sempre nessa relação entre dono e pet, nessa amizade mostrada de quatro formas diferentes. Assim, Quatro Vidas de Um Cachorro vai construindo essas relações afetivas, principalmente a primeira entre o cão e Ethan no interior dos EUA dos anos 1960, essa primeira parte é edificada com esmero e vai mostrando a parceria entre os dois desde a infância até meados da vida adulta do garoto.

Se comparada com as outras vidas apresentadas no filme essa é a que tem a maior duração, para que se sinta a relação afetuosa entre aqueles dois. Como um foi importante para o outro, estando presentes tanto nas traquinagens quanto nos momentos mais difíceis, essa construção totalmente cautelosa faz com que aquele laço seja totalmente inesquecível e essa lembrança reverberá nas demais vidas tanto para o cão narrador quanto para o público.

 

Disponível em Blu-ray e DVD  

 

 

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