LOGAN – Um filme para ser guardado na estante e ser revisto sempre que possível.

Estamos em 2029, e os X-Men não existem mais, os que ainda restam são o próprio Logan e o Professor Charles Xavier (Patrick Stewart). O protagonista carrega o peso da idade, e isso é mostrado na ótima atuação de Jackman e na caracterização do personagem. O uso de óculos para leitura foi algo tão simples, mas ao mesmo tempo tão significativo. Estando esse detalhe no roteiro ou não, foi uma boa ideia.

Seu poder de cura não é mais o mesmo, assim como sua saúde que está debilitada, todo vigor foi deixado no passado. Atualmente Logan quer ser mais James, uma pessoa comum e apenas sobreviver. Um dos motivos para ele continuar seu caminho é seu mentor e amigo, Charles Xavier que necessita de cuidados. Com a ajuda do mutante Caliban (Stephen Merchant), eles cuidam de um nonagenário Xavier que precisa de medicamentos para evitar convulsões e manter a sanidade.

O surgimento de Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma enfermeira que diz ser mãe de Laura (Dafne Keen) e que implora por sua ajuda, faz com que Logan se rebele contra uma organização que as perseguem, que teria perdido o controle de um pequeno grupo de crianças concebidas para se transformarem em supersoldados. Ao seu lado, restaram somente um Charles (Patrick Stewart, em sua melhor encarnação como o personagem) nonagenário e em estágio inicial de demência, e Caliban (Stephen Merchant), albino ultrassensível ao sol e com olfato apuradíssimo.

De fato, a produção Logan é animalesca e consegue ser belíssima. Embora seja uma história do futuro e mostre o declínio dos mutantes, há um charme no enredo. Resultado: Por vezes, fica a sensação de não ser um filme de herói de história em quadrinhos. Wolverine está mais humano do que nunca! Como lidar com isso? Até a trilha sonora tem sua parcela na contextualização da trama heroica e humana. Eis o ponto alto do longa dirigido por James Mangold.

Dentre as muitas qualidades de LOGAN, o filme se inspira na versão mais velha do personagem, apresentada pela primeira vez no arco de histórias “Old Man Logan”, escrito por Mark Millar e desenhado por Steven McNiven em 2008-2009, e que se tornou um clássico. Mangold cria uma nova história a partir da ideia de um Wolverine velho e cansado, ambientando a trama em um mundo parecido com os dos filmes de Mad Max.

A presença de Jackman como Wolverine foi fundamental em todos os filmes da franquia X-Men e sua despedida do papel de sua vida foi bastante digno, tendo arrancado uma performance memorável. O olhar cansado de Logan, que aparece como um motorista de limusine, mancando e cheio de cicatrizes e feridas que custam a cicatrizar, já o distanciam daquele que foi visto como um ser quase imortal no passado

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Logan é, portanto, uma bela despedida a personagens que acompanhamos desde o ano 2000, uma homenagem a Hugh Jackman e seu Wolverine, que nos cativou ao longo dos anos e apresentou claros sinais de evolução. Ao dispensar fórmulas e nos entregar um filme mais autoral, ainda que um blockbuster, James Mangold nos oferece uma obra que funciona perfeitamente por conta própria, sem precisar estar inclusa em um extenso universo, recheado de referências e cenas desconexas. Definitivamente uma das melhores adaptações das páginas ilustradas, que abandona a pasteurização a favor de algo que realmente consegue nos envolver. É o encerramento digno e honesto de uma franquia. Sem nada de mirabolante, sendo sincero e emocionante. Irá atingir todo o público, desde o fã de quadrinhos até aquele que assistiu apenas aos filmes. Um filme para ser guardado na estante e ser revisto sempre que possível. Amizade, amor e família são as lições que esse belo filme nos ensina.

 

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